Estar no Fórum E-Commerce Brasil 2026 foi, para mim, uma boa forma de confirmar algo que já vinha aparecendo no dia a dia dos projetos: o varejo digital entrou em uma fase menos deslumbrada com promessas e muito mais focada em resultado real.

Menos discurso solto. Mais decisão prática.

Este texto não é uma lista de palestras nem uma tentativa de reproduzir toda a programação. Quero reunir os assuntos, tendências e exemplos de empresas que, na minha leitura, melhor ajudam a entender o que deve influenciar o planejamento dos próximos meses para quem lidera um e-commerce.

A própria cobertura oficial do Fórum reuniu diversos casos apresentados durante e após o evento, envolvendo empresas como Magalu, Lojas Renner, MadeiraMadeira, RD Saúde, Riachuelo, Vivara, Salon Line, JBL e Grupo 3corações, entre outras.

Para quem quiser complementar esta leitura, vale consultar também a cobertura oficial do Fórum E-Commerce Brasil 2026.

O que marcou o Fórum E-Commerce Brasil 2026?

Entre os assuntos que mais chamaram minha atenção, um ponto apareceu de diferentes formas: a operação digital ficou mais complexa.

O consumidor compra em mais lugares, compara com mais rapidez, transita entre diferentes ambientes e espera respostas cada vez mais imediatas. Ao mesmo tempo, margem, custo de aquisição, logística, integração, tecnologia e eficiência continuam pressionando o negócio.

O grande recado que eu trouxe do Fórum foi simples: crescer já não basta. É preciso crescer com consistência.

Eu percebi isso atravessando diferentes discussões. Tecnologia, marketing, experiência, logística, dados e operação deixaram de funcionar como conversas separadas.

Tudo se conecta.

E alguns dos cases apresentados ajudaram justamente a tornar essa discussão mais concreta.

IA entrou de vez na jornada de compra

Uma tendência que vi aparecer com bastante força foi a presença da inteligência artificial em etapas que antes dependiam principalmente de busca, mídia, vitrines digitais e navegação tradicional.

A IA começa a participar da descoberta, da recomendação, da comparação de alternativas e até da própria compra.

Um dos exemplos mais interessantes veio do Magalu. Na cobertura do Fórum, a empresa apresentou resultados de sua estratégia de agentic commerce e informou que seus agentes de IA já haviam movimentado R$ 100 milhões, com conversão três vezes maior em determinados contextos. O case também trouxe uma discussão importante sobre como esses agentes podem exigir novas formas de pensar publicidade digital.

Para mim, esse é um ótimo exemplo de como a IA deixou de ser apenas uma camada de atendimento.

Ela começa a participar efetivamente da jornada comercial.

IA deixou de ser tema de laboratório e passou a interferir na maneira como produtos são encontrados, comparados e comprados.

Para quem administra um e-commerce, eu vejo impacto direto principalmente em três pontos:

  • qualidade e estrutura dos dados de produto;
  • clareza da proposta de valor;
  • integração entre conteúdo, catálogo, tecnologia e mídia.

Não basta ter uma loja visualmente boa.

Se descrições, atributos, categorias, informações técnicas e conteúdos estão mal estruturados, a operação perde capacidade de ser interpretada pelos novos ambientes de descoberta e recomendação.

Esse movimento complementa diretamente a discussão sobre SEO e GEO, porque a jornada começa a extrapolar a página tradicional de resultados de busca.

Agentic commerce começa a mexer também na operação e no checkout

Outro ponto que merece atenção é que agentes de IA não afetam apenas a descoberta.

Eles começam a exigir mudanças na própria arquitetura de comércio.

Um caso apresentado por Lojas Renner e Yuno discutiu justamente a reestruturação de operações e checkout para um cenário de compras realizadas por agentes e pagamentos mais invisíveis ao consumidor.

Na minha leitura, isso é especialmente relevante porque mostra que agentic commerce não deve ser tratado somente como tema de marketing.

Existe impacto em:

  • arquitetura tecnológica;
  • APIs;
  • pagamentos;
  • catálogo;
  • estoque;
  • regras comerciais;
  • segurança;
  • experiência de compra.

É justamente aí que eu vejo um dos erros mais prováveis dos próximos anos: tentar colocar uma camada de IA sobre uma operação que ainda possui dados fragmentados e sistemas que não conversam entre si.

Antes de pensar no agente, eu olharia para a base.

Dados em tempo quase real começam a sair do discurso

Quando se fala em dados, existe uma tendência de cair rapidamente em conceitos abstratos.

Por isso, gostei de ver exemplos ligados diretamente à eficiência operacional.

A MadeiraMadeira, por exemplo, mostrou no Fórum como uma arquitetura de dados mais moderna e informações em tempo quase real ajudaram a reduzir tempo de resposta e apoiar decisões logísticas, com impacto também sobre custos.

Esse tipo de case reforça algo que considero central.

Dado só gera vantagem quando reduz o tempo entre perceber um problema e tomar uma decisão.

Não adianta um e-commerce produzir centenas de dashboards se a informação chega atrasada ou ninguém consegue transformar aquilo em ação.

Na prática, eu prestaria atenção principalmente em:

  • disponibilidade de estoque;
  • ruptura;
  • prazo;
  • margem;
  • comportamento por canal;
  • conversão;
  • logística;
  • rentabilidade das campanhas.

Quanto menor a distância entre dado e decisão, maior a capacidade da operação de reagir.

As marcas também precisam ser relevantes nos ambientes de IA

A chegada da inteligência artificial à jornada de compra também amplia uma discussão que já vinha ganhando espaço: como uma marca passa a ser compreendida e considerada pelos sistemas de IA?

Durante muito tempo, a preocupação central era aparecer quando uma pessoa pesquisava.

Agora surge uma segunda pergunta:

“O que faz uma inteligência artificial entender que minha marca é relevante para determinada necessidade?”

Isso passa por reputação, conteúdo, avaliações, consistência semântica, presença digital, autoridade e clareza de posicionamento.

Mas aqui existe um cuidado importante.

Especialistas presentes na cobertura do Fórum também reforçaram que a IA ainda não substitui a construção de confiança nem o pensamento crítico na formação de reputação.

Eu acho esse contraponto essencial.

Não considero GEO ou presença em LLMs uma tentativa de “enganar a IA”.

A base continua sendo construir uma marca que tenha sinais reais de autoridade.

Ser lembrado já não é suficiente. A marca também precisa ser compreendida — e ter razões para ser considerada confiável.

Esse debate conversa diretamente com temas como branding semântico, avaliações, menções de marca e presença em LLMs.

IA gera resultado quando existe governança e participação humana

Outro grupo de cases que chamou minha atenção envolveu RD Saúde, Riachuelo e Vivara.

As empresas apresentaram diferentes aplicações de inteligência artificial e mostraram como governança de dados e participação humana são importantes para transformar tecnologia em resultado real. A cobertura destacou desde ganhos expressivos em velocidade operacional até aplicações relacionadas à experiência e geração de receita.

Esse ponto me interessa porque ajuda a combater uma leitura simplista:

“Vou colocar IA e automaticamente ganhar eficiência.”

Não funciona assim.

Eu vejo três camadas fundamentais antes de esperar resultado:

  1. dado confiável;
  2. processo bem definido;
  3. acompanhamento humano.

A IA pode acelerar muito uma operação mal estruturada — inclusive na direção errada.

Por isso, antes de automatizar, eu costumo perguntar:

“Esse processo já funciona bem sem IA?”

Se a resposta for não, provavelmente existe trabalho estrutural a fazer primeiro.

Creators estão ficando menos dependentes de quantidade de seguidores

Outra discussão que merece destaque está no marketing de influência.

Salon Line, JBL e Grupo 3corações apresentaram abordagens envolvendo creators e reforçaram pontos como autenticidade, diversidade de perfis, cocriação e uso de dados para orientar as estratégias.

Para mim, isso mostra uma evolução saudável do mercado.

O debate deixa de ser:

“Qual influenciador tem mais seguidores?”

e passa para questões como:

  • essa pessoa conversa com o público certo?
  • o conteúdo parece natural?
  • existe aderência real com a marca?
  • consigo medir impacto?
  • esse creator funciona também como ativo de mídia?
  • posso aprender algo sobre meu público a partir dessa parceria?

Isso se conecta bastante com uma tendência que considero forte para performance: Creator Ads.

O creator deixa de ser apenas um canal de alcance e começa a fazer parte da estrutura de conteúdo e mídia da marca.

Canais continuam se multiplicando, mas integração ficou mais importante

Depois de acompanhar as discussões do evento, outra mudança ficou evidente para mim: o futuro das vendas digitais não será definido por um único canal.

Marketplace, loja própria, social commerce, mensageria, afiliados, retail media e novos ambientes mediados por IA passam a fazer parte da mesma jornada.

Mas existe uma armadilha.

Mais canais não significam automaticamente mais resultado.

Em muitos casos, significam:

  • mais complexidade operacional;
  • conflitos de preço;
  • dificuldade de atribuição;
  • estoques fragmentados;
  • experiências inconsistentes;
  • mais custos de gestão.

A cobertura do Fórum também mostrou indústrias discutindo como reorganizar equipes, parceiros, dados e construção de marca para sustentar a expansão digital.

Para mim, esse é o centro da discussão.

O desafio não é simplesmente entrar em mais canais.

É conseguir operar vários canais sem perder margem, identidade e capacidade de execução.

É nesse ponto que omnichannel deixa de ser conceito e vira estrutura operacional.

Margem e operação voltaram ao centro

Talvez esse tenha sido um dos aspectos mais importantes do evento.

Em vez de discutir crescimento apenas pelo faturamento, muitas conversas passaram por eficiência, custo, logística, tecnologia, capital de giro e capacidade operacional.

Até a reforma tributária apareceu conectada a essa discussão. Em conteúdo apresentado no Fórum, especialistas alertaram para a necessidade de revisar preços e capital de giro diante da transição tributária prevista para os próximos ciclos.

Isso reforça uma visão que considero fundamental.

Vender mais não significa necessariamente ganhar mais.

Quando analiso uma operação, eu prefiro observar:

  • margem por categoria;
  • CAC e rentabilidade por canal;
  • impacto de frete e prazo;
  • custo operacional da expansão;
  • estoque;
  • capital de giro;
  • promoções;
  • recompra;
  • eficiência da mídia.

Faturamento isolado conta apenas parte da história.

Uma boa estratégia de crescimento precisa saber quanto sobra depois que a venda acontece.

Experiência de compra vai muito além do layout da loja

Outro aprendizado importante é que experiência do usuário não pode mais ser analisada somente dentro do site.

Hoje a experiência começa antes da loja e continua depois dela.

Pesquisa, IA, conteúdo, social, atendimento, checkout, pagamento e logística fazem parte da mesma percepção.

Por isso, quando eu falo de experiência, não estou olhando apenas para banner, menu ou botão.

Estou olhando para a capacidade da operação de responder perguntas como:

  • o produto certo aparece para a pessoa certa?
  • as informações são suficientes?
  • o estoque está correto?
  • o prazo prometido é confiável?
  • o pagamento é simples?
  • o atendimento conhece o histórico?
  • a entrega confirma a promessa feita na mídia?

Esse conjunto é o que constrói experiência.

O que eu levo do Fórum E-Commerce Brasil 2026

Se eu tivesse que resumir minha leitura do evento em uma ideia, seria esta:

a vantagem competitiva está cada vez menos na ferramenta isolada e cada vez mais na capacidade de conectar marca, dados, mídia, tecnologia, operação e experiência.

Não saí do Fórum com a sensação de que tudo mudou de uma hora para outra.

Saí com uma sensação de amadurecimento.

O caso do Magalu mostra agentes de IA entrando na jornada comercial.

Renner e Yuno mostram impactos sobre checkout e arquitetura.

A MadeiraMadeira mostra dados acelerando decisões operacionais.

RD Saúde, Riachuelo e Vivara mostram que IA precisa de governança para gerar resultado.

Salon Line, JBL e Grupo 3corações mostram uma evolução na relação entre marca, creators e dados.

São assuntos diferentes, mas eu vejo uma mesma linha conectando todos eles:

integração.

A tecnologia avança.

Os canais se multiplicam.

A inteligência artificial assume novas funções.

Mas resultado continua dependendo da capacidade de transformar tecnologia em processo, processo em experiência e experiência em crescimento sustentável.

É esse tipo de análise que procuro aplicar nos projetos que acompanho na eVision.

Não implementar uma tendência apenas porque ela está em evidência.

Primeiro eu procuro entender:

Onde isso realmente melhora o negócio?

Se alguma das tendências apresentadas no Fórum já está impactando sua operação, eu recomendo começar justamente por essa pergunta.

É a partir dela que uma tendência deixa de ser conteúdo de evento e começa a virar estratégia.

Para aprofundar os cases e acompanhar outros conteúdos apresentados durante o encontro, recomendo também consultar a cobertura oficial do Fórum E-Commerce Brasil 2026.

Perguntas frequentes sobre o Fórum E-Commerce Brasil 2026

Quais foram os principais temas do Fórum E-Commerce Brasil 2026?

Na minha leitura, alguns dos assuntos mais relevantes foram inteligência artificial, agentic commerce, governança de dados, integração de canais, eficiência operacional, creators, experiência digital e crescimento com rentabilidade. A cobertura oficial também reuniu cases de empresas como Magalu, Renner, MadeiraMadeira, RD Saúde, Riachuelo, Vivara, Salon Line, JBL e Grupo 3corações.

Quais empresas apresentaram cases relevantes no Fórum?

Entre os cases destacados pela cobertura estão Magalu, falando sobre agentes de IA; Renner e Yuno, discutindo agentic commerce e checkout; MadeiraMadeira, abordando arquitetura de dados; RD Saúde, Riachuelo e Vivara, apresentando aplicações de IA; e Salon Line, JBL e Grupo 3corações, discutindo creators, autenticidade e dados.

Agentic commerce foi um dos temas do Fórum E-Commerce Brasil 2026?

Sim. O assunto apareceu em diferentes casos, incluindo Magalu e Lojas Renner. A discussão mostrou que agentes de IA começam a impactar não apenas busca e recomendação, mas também publicidade, checkout, pagamento e arquitetura de comércio.

Vale a pena acompanhar o Fórum mesmo sem ter participado?

Sim. Para quem não conseguiu estar presente, acompanhar os principais debates e cases ajuda a identificar movimentos que podem afetar tecnologia, mídia, operação e comportamento do consumidor.

Eu só recomendo não parar no resumo.

O mais importante é entender quais tendências realmente fazem sentido para o estágio e para os objetivos de cada operação.

Onde encontrar os conteúdos do Fórum E-Commerce Brasil 2026?

O E-Commerce Brasil mantém uma página especial com a cobertura e diversos conteúdos relacionados ao evento.

Confira os conteúdos do Fórum E-Commerce Brasil 2026



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Rogerio Fujii

Sobre o Autor

Rogerio Fujii

Rogerio Fujii atua há duas décadas como especialista em e-commerce, ajudando empresas a potencializar sua presença digital, a criar experiências impactantes e aumentar as vendas. Apaixonado por tecnologia, tendências de mercado e varejo, Rogerio dedica-se a traduzir estratégias complexas em soluções criativas e acessíveis, sempre com foco em resultado e inovação. Seu trabalho transforma negócios digitais, elevando faturamento e fidelização de clientes.

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